O homem que eu não podia amar
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O homem que eu não podia amar

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M.R.Silva Romance

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Helen estava sentada à mesa da pequena cozinha. Já passava da meia-noite.
Seis meses antes, seu tio estivera ali, deixando uma boa quantia em dinheiro para que seu pai pagasse as dívidas. O valor também seria suficiente para custear seu curso de pintura. Helen estava ansiosa para começar e, finalmente, conseguir um trabalho. Assim, não dependeria mais da ajuda de Rodrigo para nada.
Enquanto observava o relógio na parede, lembrou-se da primeira vez em que ele apareceu em sua casa.
Rodrigo tinha apenas quinze anos quando chegou acompanhado de Patrícia. Foi naquele dia que Helen descobriu que havia ganhado um tio.
Naquela época, ele era divertido. Jogavam bola no quintal, corriam pela propriedade e passavam horas conversando. Às vezes, Rodrigo sentava-se em um banco de madeira enquanto Helen fingia desenhá-lo em uma tela imaginária.
Tudo mudou depois da morte de sua mãe.
A partir daquele momento, Rodrigo tornou-se alguém diferente aos seus olhos. Passava horas conversando com seu pai na sala, e Helen sentia a distância crescer entre eles.
De repente, ele passou a ser o tio que perguntava:
— Helen, como estão as coisas na escola?
— Está precisando de alguma coisa?
Tinha a autoridade de um pai. Mandava que ela estudasse, cobrava suas notas e insistia para que cumprisse suas obrigações. E ela obedecia apenas porque Rômulo a obrigava.
Lembrou-se de uma tarde em especial.
Ela tinha quinze anos e uma prova importante naquela semana. Quando chegou da escola e viu que Rodrigo estava visitando seu pai, correu para mostrar os novos desenhos que havia feito.
Mas ele m*l olhou.
Disse apenas que o mais importante era estudar.
Seu pai permaneceu em silêncio.
Helen sentiu o sangue ferver.
Como aquele homem ousava se meter na sua criação?
Com os olhos cheios de raiva, encarou Rodrigo e disparou:
— Você não manda em mim. Nem meu tio de verdade é.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, seu pai se levantou e lhe deu um tapa no rosto.
Foi a primeira vez.
E a única de que ela se lembrava.
Como castigo, ficou uma semana sem sair de casa. Mas o pior veio depois.
Rômulo recolheu todos os seus materiais de pintura e os jogou fora.
Naquele dia, algo se quebrou dentro dela.
Depois disso, a situação entre Helen e Rodrigo nunca mais foi a mesma.
Ela passou a suportar sua presença apenas por causa do pai. Caso contrário, não o deixaria sequer atravessar a porta de sua casa.
A última visita havia sido seis meses antes.
Quando Rodrigo chegou, Helen limitou-se a dizer:
— Bença.
Nada mais.
Seu pai passou a tarde inteira conversando com ele, enquanto ela permaneceu trancada no quarto.
Quando desceu para jantar, encontrou a mesa posta e a comida pronta.
Rodrigo estava sentado na sala.
Dona Rosa, contratada por ele para ajudar nos afazeres da casa e permitir que Helen se dedicasse aos estudos, havia feito tudo.
Helen considerava aquilo um absurdo.
A casa era pequena. Não havia necessidade de contratar ninguém.
Tudo bem que Dona Rosa fazia o trabalho por carinho. Afinal, era vizinha e ajudara a criá-la desde criança.
Mesmo assim, Helen não gostava da ideia.
Mas aprendera a ficar calada.
Desde o dia em que seu pai jogara suas pinturas fora.
Esse trecho funciona muito bem como um dos primeiros capítulos, porque já apresenta o conflito entre Helen e Rodrigo e mostra que o ódio dela é alimentado por mágoas antigas, enquanto o leitor percebe que Rodrigo provavelmente estava tentando ajudá-la. Isso cria uma tensão interessante para o romance.
E aquela noite era diferente.
Seu pai não costumava chegar tão tarde.
Sentada sozinha na cozinha, Helen sentiu um aperto estranho no peito. Naquele momento, desejou mais do que nunca que sua mãe estivesse viva. Talvez soubesse o que fazer. Talvez conseguisse acalmá-la.
Olhou novamente para o relógio.
Já passava das duas da manhã.
Respirou fundo, levantou-se e trancou a porta.
Seu pai tinha a própria chave. Se chegasse tarde, conseguiria entrar sem problemas.
Tentou dormir, mas o sono demorou a chegar.
Na manhã seguinte, a primeira coisa que fez foi ir ao quarto dele.
A cama estava perfeitamente arrumada, como se ninguém tivesse dormido ali.
— Talvez tenha passado a noite na sala — murmurou para si mesma.
Desceu as escadas rapidamente.
A sala estava vazia.
Foi então que percebeu.
Seu pai não tinha voltado para casa.
A preocupação cresceu imediatamente.
Rômulo podia beber, jogar e cometer inúmeros erros, mas nunca havia passado uma noite fora sem avisar.
Helen cruzou os braços e tentou controlar a ansiedade.
— Não aconteceu nada — repetiu para si mesma. — Não aconteceu nada.
Pouco depois, ouviu batidas na porta.
Ao abrir, encontrou Dona Rosa.
Helen forçou um sorriso.
— Tia Rosa, não precisava vir hoje. Só quando o tio Rodrigo estiver para chegar. Eu aviso a senhora e pode vir um dia antes.
Dona Rosa entrou mesmo assim.Conhecia as dívidas de Rômulo e temia que algum problema acabasse recaindo sobre a menina.
Na verdade, pouco se importava com a limpeza da casa. Estava ali para cuidar dela

Unfold

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EPÍLOGO

Rodrigo não quis voltar para o Brasil, e Hellen sentia a mesma coisa. Por isso, os dois decidiram morar de vez na mansão da família, na cidade de Florença.

Teresa, Francisco e dona Rosa voltaram para São Paulo. Dona Rosa precisava cuidar da filha e do neto que moravam lá, mas prometeu que voltaria sempre para visitar. Francisco e Teresa am……

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